Os Batistas

A Origem dos Batistas

O Senhor Jesus afirmou que as portas do inferno não prevaleceriam contra sua igreja (Mateus 16:16-18). Ele cumpriu seu ministério, sofreu na cruz o castigo pelo nosso pecado, e ressuscitou. Antes de voltar ao céu, entregou-nos a missão de pregarmos o seu Evangelho por todo o mundo (Marcos 16:15). Cinqüenta dias após sua morte, o Espírito Santo foi dado a todos os discípulos de Cristo, iniciando a primeira igreja cristã em Jerusalém. Desde então, seus discípulos têm se empenhado em cumprir a ordem de Cristo, pregando e fundando igrejas por toda a parte.

Entretanto, Satanás tem procurado destruir a obra de Cristo e espalhar suas trevas sobre a humanidade. Logo no início do cristianismo, heresias pagãs infiltravam-se para descaracterizar a fé cristã. Bem cedo o apóstolo Paulo advertiu quanto a isto e instou os líderes cristãos a permanecerem fiéis ao Evangelho e a zelarem para que ele fosse sempre transmitido com fidelidade (I Timóteo 4:1-3, II Timóteo 1:13-14, 2:2). Satanás também tentou destruir as igrejas de Cristo por meio de violenta perseguição movida pelo Império Romano. Jesus, por meio do apóstolo João, envia aos crentes o Livro do Apocalipse, encorajando-os a permanecerem fiéis. No ano de 323, o imperador Constantino uniu o cristianismo ao estado Romano, e passou a agir como o chefe de todos os cristãos. A fé cristã passou a ser manipulada conforme os interesses do império, e as crenças pagãs começaram a desvirtua-la.

Durante a idade média, as trevas de Satanás pareciam tomar conta de toda a terra. Uma igreja corrompida e apóstata impunha um falso cristianismo, distante da Palavra de Deus, e repleto de práticas supersticiosas. Entretanto, rastros de luz iluminavam a noite escura que se abatera sobre a humanidade. Foram homens que, inspirados pela Palavra de Deus, e a despeito de todos os perigos, protestavam contra os erros da Igreja Católica e pregavam o retorno às doutrinas dos apóstolos: Pedro de Bruys, Henrique de Lausane e Pedro Valdo (França, século XII); João Wycliffe (Inglaterra, século XIV); e João Huss (Boêmia, século XV), além de muitos outros. Pagando o preço de suas próprias vidas, mantiveram brilhando a luz de Cristo.

No dia 31 de outubro de 1517 Lutero trouxe a público suas 95 teses contra os abusos da Igreja Católica, especialmente as indulgências. Estudando a teologia de Agostinho, e especialmente a Epístola aos Romanos, adquiriu a convicção de que o homem nada pode fazer para obter a salvação, e de que somente por meio da fé em Cristo, Deus perdoa os nossos pecados como favor imerecido. Assim, Lutero converteu-se em 1519. Em 1521 rompeu definitivamente com a Igreja Católica, lançando-se à tarefa de criar uma igreja reformada alemã. Apesar da sua grande contribuição à causa do Reino de Deus, Lutero manteve ainda antigos erros da Igreja Católica, como o sacramentalismo, o batismo de recém nascidos, e a concepção territorial da igreja.

Simultaneamente a Lutero, Ulrico Zwinglio iniciou a Reforma protestante na Suíça. Em 1519 começou a pregar que o homem só pode ser justificado por meio da graça e do poder transformador de Cristo. Enfatizou a atuação do Espírito Santo na regeneração e na santificação do homem, e resgatou o ensino bíblico de uma vida comprometida com Cristo. Também negou o sacramentalismo, afirmando que a ceia e o batismo são ordenanças de valor simbólico. Entretanto, Zwinglio continuou mantendo o batismo de recém nascidos e a idéia de uma igreja territorial aliada ao estado.

Alguns discípulos de Zwínglio foram mais adiante que ele em suas idéias reformadoras. Desejavam total obediência às Escrituras, defendiam a necessidade de uma entrega pessoal a Cristo como algo essencial para salvação e pré-requisito para o batismo e para pertencer à igreja. Condenavam o batismo infantil, e as interferências externas na igreja. Este grupo passou a reunir-se para estudos bíblicos. Era liderado por Conrad Grebel.
O rompimento definitivo e público se deu em janeiro de 1525, durante um debate no qual o grupo dissidente condenava o batismo infantil como niq-bíblico. Em 21 de janeiro do mesmo ano, dez ex-discípulos de Zwinglio estavam reunidos em oração na casa de Félix Mans, quando Geoge Blaurock pediu a Grebel que lhe batizasse com o verdadeiro batismo cristão, sobre a base de sua fé e de seu conhecimento. Após o seu batismo, Blaurock batizou a todos os outros. Então, os recém-batizados se comprometeram a serem verdadeiros discípulos de Cristo para viverem vidas separadas do mundo, ensinar o Evangelho e conservar a fé. Assim surgiu o movimento anabatista. Este nome significa “o que batiza de novo”, pois aos olhos do povo, os anabatistas praticavam um segundo batismo.Os anabatistas pregavam e praticavam a fidelidade às Escrituras, a salvação pela graça de Deus por meio da fé em Cristo, o batismo somente para convertidos, uma igreja de caráter local e formada por regenerados, e uma vida de discipulado em santidade e amor. Também foram os primeiros a defenderem a liberdade religiosa. Foram perseguidos por católicos e protestantes, e muitos foram mortos por afogamento ou na fogueira. Apesar disto, espalharam-se por toda a Europa e enviaram muitos missionários. Assim, fizeram brilhar mais ainda a luz de Cristo. Os anabatistas foram nossos verdadeiros precursores, pois os fundadores das primeiras igrejas batistas na Inglaterra foram profundamente influenciados por suas idéias. Com o nome de Batistas existimos desde 1612, quando Thomas Helwys, de volta da Holanda, onde se refugiara da perseguição do Rei James I da Inglaterra, organizou com os que voltaram com ele, uma igreja em Spitalfields arredores de Londres, que era advogado e estudioso da Bíblia, ao escrever um livro intitulado “Uma Breve Declaração Sobre o Mistério da Iniqüidade”, foi preso e morreu na prisão, em 1615.

Em 15 de outubro de 1882 foi organizada a Primeira Igreja Batista em solo brasileiro voltada para a evangelização do Brasil (já existiam duas outras igrejas batistas, organizadas por imigrantes norte-americanos, em Santa Bárbara do D’Oeste e Americana, São Paulo). Os casais de missionários batistas norte-americanos Willian Buck Bagby e Anne Luther Bagby (os pioneiros), e Zacharias Clay Taylor, Kate Stevens Crawford Taylor, auxiliados pelo ex-padre Antônio Texeira de Albuquerque (batizado em Santa Bárbara D’Oeste) forma os seus membros fundadores. Desde então, o trabalho batista cresceu. Muitos servos fiéis dedicaram-se a fazer a luz de Cristo brilhar bem forte, e milhares de igrejas batistas foram plantadas por todo o Brasil. Hoje, os batistas brasileiros realizam expressiva obra missionária no Brasil e no mundo.

Uma nova página desta história está sendo escrita por você, por mim, por cada um de nós. O que recordarão de nós no futuro, ou o que ficará registrado no Céu? Sejamos testemunhas fiéis, e que a luz de Cristo brilhe cada vez mais intensamente em nossas vidas.

Pr Dalton de Souza Lima

 

Pacto das Igrejas Batistas

Tendo sido levados pelo Espírito Santo a aceitar a Jesus Cristo como único e suficiente Salvador, e batizados, sob profissão de fé, em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, decidimo-nos, unânimes, como um corpo em Cristo, firmar, solene e alegremente, na presença de Deus e desta congregação, o seguinte Pacto:

– Comprometemo-nos a, auxiliados pelo Espírito Santo, andar sempre unidos no amor cristão; trabalhar para que esta igreja cresça no conhecimento da Palavra, na santidade, no conforto mútuo e na espiritualidade; manter os seus cultos, suas doutrinas, suas ordenanças e sua disciplina; contribuir liberalmente para o sustento do ministério, para as despesas da igreja, para o auxílio dos pobres e para a propaganda do evangelho em todas as nações.

– Comprometemo-nos, também, a manter uma devoção particular; a evitar e condenar todos os vícios; a educar religiosamente nossos filhos; a procurar a salvação de todo o mundo, a começar dos nossos parentes, amigos e conhecidos; a ser corretos em nossas transações, fiéis em nossos compromissos, exemplares em nossa conduta e ser diligentes nos trabalhos seculares; evitar a detração, a difamação e a ira, sempre e em tudo visando à expansão do reino do nosso Salvador.

– Além disso, comprometemo-nos a ter cuidado uns dos outros; a lembrarmo-nos uns dos outros nas orações; ajudar mutuamente nas enfermidades e necessidades; cultivar relações francas e a delicadeza no trato; estar prontos a perdoar as ofensas, buscando, quando possível, a paz com todos os homens.

– Finalmente, nos comprometemos a, quando sairmos desta localidade para outra, nos unirmos a uma outra igreja da mesma fé e ordem, em que possamos observar os princípios da Palavra de Deus e o espírito deste Pacto.

O Senhor nos abençoe e nos proteja para que sejamos fiéis e sinceros até a morte.

 

Declaração Doutrinária das Igrejas da Convenção Batista Brasileira

Através dos tempos, os batistas se têm notabilizado pela defesa destes princípios:

1º) A aceitação das Escrituras Sagradas como única regra de fé e conduta.

2º) O conceito de igreja como sendo uma comunidade local democrática e autônoma, formada de pessoas regeneradas e biblicamente batizadas.

3º) A separação entre igreja e estado.

4º) A absoluta liberdade de consciência.

5º) A responsabilidade individual diante de Deus.

6º) A autenticidade e apostolicidade das igrejas.

Clique na imagem abaixo e conheça mais detalhes da nossa doutrina.

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